Peixes ectopócios do lago norte: uma conversa sobre mulheres no ambiente corporativo

Peixes ectopócios do lago norte: uma conversa sobre mulheres no ambiente corporativo

Eu sou atriz e produzo conteúdo na internet sobre questões de gênero. Há pouco tempo, fiz um vídeo que viralizou, sobre uma mulher especialista em peixes ectopócios do lago norte (e antes que você dê um google, já adianto: eles não existem). 

A personagem sabe tudo sobre os tais peixes, tem doutorado e pós-doutorado, mas quando surge uma vaga para trabalhar especificamente com eles, ela duvida que esteja preparada o suficiente. Quem pega a vaga? Um homem especialista em equinos que tem certeza que “dá conta” de trabalhar com peixes também.

É um vídeo cômico, mas que retrata uma situação vivida por muitas e muitas mulheres (várias delas, inclusive, me enviaram relatos sobre os seus próprios peixes ectopócios).

Eu criei esse vídeo a partir de um dado de pesquisa sobre mulheres e empregos: para se candidatar a uma vaga, uma mulher precisa sentir que atende a 97% das características solicitadas, enquanto um homem já se candidata tranquilamente caso se identifique com 60% do que é solicitado.

O homem confia tanto em si mesmo que, segundo outra pesquisa, três em cada cinco pessoas do sexo masculino se consideram capazes de aterrissar um avião numa emergência, mesmo não sendo pilotos. E caso você seja homem e esteja pensando “ah eu consigo sim”: não, você não consegue não.

Esses dados revelam um padrão de comportamento feminino de superexigência consigo mesma, aliado a uma falta de confiança estrutural. Esse padrão de comportamento deriva de uma construção social que exige que as mulheres sejam, no mínimo, perfeitas. Enquanto para um homem, ser ok já é o suficiente.

Esse é um dos pontos que abordo na palestra “Muito além dos parabéns!”, que analisa as relações de trabalho e tomadas de decisão a partir de questões de gênero. O objetivo não é encontrar culpados, mas sinalizar padrões de forma a contribuir para mudanças que vão impactar positivamente a todos. Tudo isso através do riso, do humor, de uma observação divertida da realidade que permite que mudanças aconteçam.

Ela é resultado de muitos anos de pesquisa e trabalho sobre humor e questões de gênero, em abordagens pensadas para o ambiente corporativo. Mesmo sendo mulher, eu garanto que é um conteúdo de extrema relevância e poder de transformação. Além de ser muito divertida!

Afinal, eu confio nos meus peixinhos ectopócios do lago norte.

Ana Carolina Sauwen
Atriz

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