Há um ano da implementação da NR1, vale uma pausa para refletir: o que realmente mudou?
Mais do que uma norma, a NR1 inaugura uma nova forma de olhar para as organizações. Não se trata apenas de cumprir exigências, mas de reconhecer que resultados sustentáveis não precisam vir acompanhados de adoecimento.
Empresas de alta performance estão começando a entender que cuidar da saúde mental não é um custo — é estratégia. Ambientes mais saudáveis geram mais engajamento, criatividade e consistência nos resultados.
Quando o bem-estar entra no centro da estratégia, algo muda: as pessoas se sentem vistas, o ambiente se transforma e o resultado deixa de ser um peso para se tornar consequência.
Há alguns anos, já a partir da intensificação do home office, converso com as organizações que acompanho, verifico que o burnout, a epidemia de pânico e outros sintomas de desgaste são fruto principalmente da necessidade das pessoas de se sentirem vistas e da dor dessa necessidade não ser atendida. As pessoas não se sentindo vistas e nem reconhecidas fazem mais, buscam aparecer mais e assim vão se atropelando, desgastando e, consequentemente, vão adoecendo.

Mas isso pode mudar.
Essa transformação exige uma mudança real de olhar.
Como aponta Byung-Chul Han, vivemos na era da exaustão, onde o excesso de desempenho nos desconecta de nós mesmos. No festival de inovação, SXSW 2026, ficou confirmado: o futuro das organizações passa pela humanização do trabalho e por um cuidado genuíno com cada indivíduo.
Assim, o que começa como cuidado se transforma em cultura.
Ao respeitar o ritmo humano e valorizar o equilíbrio entre vida e trabalho, criamos um ciclo virtuoso. Pessoas mais saudáveis geram mais presença, mais criatividade, mais compromisso. E, nesse movimento, não é só a empresa que cresce — cresce também o sentido de quem faz parte dela. O resultado deixa de ser um fim isolado e passa a ser parte de um sistema vivo.
É a partir desse novo olhar que se abre uma possibilidade concreta: gerar resultados sem tarja preta.
Resultados que não dependam do esgotamento, mas da consciência. Que não nasçam da pressão, mas da conexão. Inspirados por essa nova direção e, também, pelas diretrizes da NR1 — podemos romper com a lógica do sacrifício e construir uma performance mais leve, mais inteligente e mais sustentável.
Pode parecer desafiador.
Mas, depois de quase vinte anos caminhando no mundo corporativo, o que vejo é que isso é possível e já está acontecendo. Com direção clara, compromisso genuíno e consistência, a transformação se dá. Passo a passo. Pessoa a pessoa. Cultura a cultura.E talvez a verdadeira pergunta agora não seja “se é possível”.
Mas: estamos dispostos a fazer diferente?
