Aqui cabe uma mãe?

Aqui cabe uma mãe?

Uma contradição que precisa ser debatida

Vivemos uma contradição.

As empresas buscam, permanentemente, inovação, ganhos de produtividade com saúde/bem-estar de seus colaboradores. Entretanto, esses parâmetros estão baseados numa estrutura historicamente obsoleta, invisível e bastante negligenciada: o trabalho exaustivo realizado, majoritariamente, pelas mulheres no ambiente externo as empresas.

Esse cuidado alimenta, acolhe, organiza, planeja, educa, lembra das consultas, das vacinas, do material escolar, acompanha as crises, sustenta afetos e permite que a vida e o trabalho continuem coexistindo.

Mas quem cuida de quem cuida?

A maternidade e a invisibilidade do cuidado

A maternidade, especialmente, expõe uma tensão profunda do nosso tempo. Mulheres conquistaram espaços fundamentais no mercado de trabalho, ampliaram sua autonomia e assumiram posições de liderança. Ainda assim, a responsabilidade pelo cuidado segue distribuída de forma desigual.

Estamos falando de uma organização social que transforma o cuidado em uma responsabilidade privada, silenciosa e frequentemente invisível.

E essa invisibilidade tem consequências.

O custo invisível do cuidado

A exaustão não nasce apenas do excesso de tarefas, ela surge quando uma pessoa precisa sustentar múltiplos papéis: o profissional, a mãe, a cuidadora, companheira, filha, gestora do cotidiano e da vida emocional de todos ao redor.

Existe um trabalho que quase nunca aparece nos relatórios: lembrar, antecipar, organizar, acolher e sustentar. É a chamada carga mental.

O não reconhecimento desse “trabalho Invisível” tem acarretado impactos econômicos e sociais significativos. Os dados estão sendo coletados e divulgados num volume bastante assustador. São inúmeros os sintomas de esgotamento emocional, ansiedade, dificuldade de concentração, abandono de carreiras, adoecimentos psíquicos dentre tantos outros, que, evidentemente, recaem no ambiente de trabalho/empresas.

  • 472 mil afastamentos por transtornos mentais em 2024.
  • Crescimento de 68% em relação a 2023.
  • Mulheres representam cerca de 64% dos casos.
  • Ansiedade, depressão e estresse lideram os diagnósticos.
  • Mais de R$ 3 bilhões em custos previdenciários.
  • Impactos diretos na produtividade, retenção de talentos e clima organizacional.

O cuidado como estratégia de futuro

Cuidar não deve ser um tema privado e sim uma abordagem econômica e social.

Empresas que compreendem isso constroem ambientes mais saudáveis, fortalecem vínculos, ampliam a permanência de mulheres em cargos de liderança e produzem relações de trabalho mais sustentáveis e produtivas.

Não basta oferecer benefícios. Precisamos olhar para as estruturas e buscar caminhos.

A proposta da palestra

Nossa palestra propõe uma reflexão sensível e provocadora sobre vários desses aspectos:

  • maternidade e parentalidades contemporâneas
  • economia e política do cuidado
  • carga mental e exaustão feminina
  • novos arranjos familiares
  • pertencimento e saúde mental
  • caminhos coletivos para uma cultura do cuidado

Ela é um convite para que empresas e pessoas consigam imaginar e criar novas formas de viver, trabalhar e cuidar coletivamente.

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