As conquistas femininas e a sobrecarga invisível
A mulher conquistou espaços importantes no mercado de trabalho, assumiu posições de liderança, ampliou sua autonomia financeira e passou a ser protagonista da própria história.
Mas junto a essas conquistas, veio um peso silencioso, e muitas vezes invisível: a tripla jornada.
Hoje, milhões de mulheres acumulam responsabilidades profissionais, gestão da casa e cuidado com a família.
E no meio disso tudo, existe uma pergunta que quase nunca é feita: quem está cuidando dessa mulher?
A sobreposição de papéis e a carga mental
Não estamos falando apenas de “ter muitas tarefas”, estamos falando de uma sobreposição constante de papéis, como a profissional que precisa performar, entregar e crescer, a responsável pela organização da casa e a cuidadora emocional e prática da família.
E existe um agravante pouco discutido, a carga mental que essas tarefas geram.
É a mulher que lembra da consulta, da reunião da escola, do que falta na geladeira, do aniversário da sogra, da meta do trabalho e ainda tenta não esquecer de si.
Os impactos da sobrecarga na saúde mental
Essa rotina não passa sem consequências.
A sobrecarga contínua pode gerar:
- Ansiedade crônica
- Exaustão emocional
- Sensação constante de culpa (por nunca dar conta de tudo)
- Dificuldade de concentração e queda de produtividade
- Burnout
A mulher não para porque está cansada, ela para porque o corpo não aguenta mais. E, muitas vezes, quando percebe, já está no limite.
O papel das empresas após a NR-1
A NR-1 trouxe um avanço importante ao incluir a gestão de riscos psicossociais dentro das responsabilidades das empresas.
Isso significa que o ambiente de trabalho também é responsável pela saúde mental do colaborador.
E, no caso das mulheres, isso ganha ainda mais relevância.
Porque não é só o trabalho que gera estresse, é o acúmulo dele com todas as outras demandas da vida.
Empresas que ignoram esse contexto aumentam afastamentos, reduzem produtividade, elevam turnover e comprometem o clima organizacional.
Por outro lado, empresas que olham para isso de forma estratégica, criam ambientes mais saudáveis, retêm talentos femininos, fortalecem lideranças mais humanas e melhoram resultados de forma sustentável.

Uma nova forma de olhar para o bem-estar feminino
Existe uma narrativa perigosa sendo vendida há anos, a ideia de que a mulher dá conta de tudo, mas dar conta de tudo não é sinônimo de sucesso.
Muitas vezes, é sinônimo de exaustão.
Não existe solução mágica, mas existem caminhos possíveis e necessários como redefinir o que é prioridade, dividir responsabilidades, trabalhar limites, cuidar da saúde mental e reavaliar a relação com a carreira.
A proposta da palestra
Mas as empresas também precisam fazer sua parte, precisam sair do discurso e agir com:
- Políticas de flexibilidade
- Cultura que respeite limites
- Lideranças preparadas para lidar com saúde mental
- Avaliação real de riscos psicossociais (como propõe a NR-1)
A palestra “Como NÃO Ser a Mulher Maravilha” traz luz para uma realidade estrutural que impacta diretamente a saúde, a carreira e a qualidade de vida das mulheres.
A mulher não precisa ser tudo ao mesmo tempo. Mas com planejamento, gestão do tempo e definição de papeis e limites é possível, e é isso que ensino de forma leve e bem-humorada, através de informação consistente, conhecimento e stand up.
A NR-1 está aí, e as empresas precisam olhar com mais cuidado para a saúde mental, pois além de melhorar a vida pessoal das colaboradoras, isso também aumentará consideravelmente a produtividade e resultado dos negócios.
Monica Oli
